Ao M.A.V.,
Estive grávida de um elefante, agora que é depois, pari essa cidade: Paramaribo. Aqui não recebo mais suas cartas, não sei mais dos seus cheiros, nem o que aconteceu com aquela outra eu que me saía por aí com outro você. Também não penso mais nisso... Aprendi outras texturas: outras eus, outros vocês.
Perdi você em uma caixa selada por fora: tantos destinos.
Fabriquei lembranças diferentes para nossos pequenos defeitos:
festajamos as nossas bodas de diamante.
Ou, uma tórrida paixão de três dias em um balneário.
Ou, nos escrevemos juras sem nunca nos conhecermos.
Ou.
Ou, você foi o pai paquiderme desta cidade –
estas calçadas estreitas te lembram.
A cidade tem o seu congestionamento
e o seu senso de humor um pouco excessivo.
Você não acha?
De qualquer forma, nunca entendi se aquele seu bilhete era
um convite de casamento ou de velório -
...Sua caligrafia tão enigmática...
Enfim.
Deixo as minhas condolências junto com as felicitações,
para não parecer desfeita.
E um feliz aniversário!
M.A.A.
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